O tomate e a cebola:
03 fev 2012 1 Comentário
em João Bridi
Só eu acho bonito como o tomate casa com a cebola? Estejam quentes, frios, roxos, verdes fritos, apenas fritos, à milanesa, picados, cortados em rodelas, inteiros,por metade, dentro da geladeira e em cima do balcão do supermercado. Além de, os dois, ainda sempre dividirem uma boa terra macia na horta que luta para as ervas daninhas, não os cruzarem por cima, de lado, por dentro.
Adeptos a um romance sempre, um pouco salgado, às vezes bem temperado, às vezes à la francês, e muitas, quase sempre vezes abraçados no líquidos que formam dentro da mesma panela de alumínio, ferro ou chumbo. Apaixonados por deslizar pelas colheres, facas e garfos, e também relaxados a deitar ao lado de um pouco de glicose. Só eu acho bonito? Como o tomate casa com a cebola? Como as sementes de um adentra as camadas doutro? Sempre descolorindo o vermelho e construindo um aroma que só eles tem. É amor entre um fruto e um vegetal. É gosto. É perfume. É raiz. É.
Eu queria um namorado sem passado,
27 nov 2011 1 Comentário
em João Bridi
que esteja do meu lado. Coisas apagadas, sem saber o emprego, ou o melhor prato de comida que ele já tenha comido, sem saber com quem com quantas ou como foi a primeira fritada de ovo com um toque de manteiga em uma frigideira velha. Sem nunca imaginar, que já tenha suado com outro pessoa em uma cama de motel, e dado beijos com aqueles géis labiais que esquentam ou esfriam dentro de uma banheira de ofurô com perfume de tutti frutti. Um passado que tenha passado de vez e que não seja só mais um café frio, mas que seja a xícara vazia, nenhum EXemplo de noite bem dormida, ou mal dormida ou de tombos no meio da rua acompanhados de uns beijos escondidos traduzindo o ‘perigoso é gostoso’. Chutar os baldes rosas desbotados que ele já tenha lavado o lençol, junto com as roupas de baixo que uma vez já foram do ser humano que foi o mundo para ele. Esquecer que o chão já foi um coração. Também não ter passado eu, para não associar, lembrar, acoplar, ou tentar imitar nada. A única coisa boa do passado é que passou, enfim. Mas também não perceber as diversas cicatrizes que tendem a aparecer quando se tira o apêndice, coloca-se um piercing, cai embaixo da bicicleta, ou simplesmente tenha sido masoquista ou bulímico pós briga-desentendimento acompanhado de 4 cigarros baratos um atrás do outro tentando filtrar as emoções não aceitas pela porcaria do cérebro que tende a lembrar que o passado é a maior dessas cicatrizes. E muitas vezes ele continua perfurando, raspando, queimando, e tornando as feridas coisas grandes, mas que não apareçam. E seria tão mais fácil, um pó de rosto que eliminasse de vez as espinhas e imperfeições à somente escondê-las por uma noite da qual não se deve suar. Saber que você foi o único a ser visto dormir, a dançar no chuveiro e a falar coisas que com certeza são de terno e eterno arrependimento. Do mesmo jeito que os olhos ironizam eles acabam acabando de vez. Ou. Ganhando de vez. E que grande sonho essa loucura de não conseguir comprar uma borracha que não deixa nenhuma marca no caderno branco de linhas azuis, de capa mole. E que saudade de tanta espiral de arame fino. Saudade do arame fino. Hoje em dia essas cercas elétricas e arames farpados tendem a fazer a gente se enroscar e quase deixar um pedaço da vida, no então passado encarnado. Queria um namorado com passado, do meu lado. Para então perceber o quanto a vida começa a melhorar, para te fazer perceber o mesmo. Contar até trinta e sair procurando pelo “pique-esconde” do jeito errado, e encontrar do jeito estranho. Mas que porra de passado esse, mas já que tudo passa, venho aqui te convidar para passear.
Uma segunda-feira,
08 nov 2011 Deixe um comentário
em João Bridi
um refrigerante de uva, e 8 pés em uma escada do patrimônio da praça mais bonita de uma pequena cidade do interior dos interiores, não aquelas que ainda cheiram a estrume de vaca, mas aquelas que ainda dão o cheirinho bom de chuva na terra. 
Eram segundas não combinadas, que acabaram se tornando rotina, e hoje são lembranças. Esses dias de setembro, outubro, novembro, dezembro, eu um novo ano de muito champanhe, realizações, descobertas, amizades e desamizades, lambidas no chão, beijo na boca, e tombos na grama. Segundas de bolo mal feito, pipoca, e risada, risada e drama, drama e corrida, corrida e campainhas tocadas, e risadas de novo, de Caio F., ou de JLO dependia, de cabelo molhado ou seco e arisco, mas um cabelo ruivo sempre presente, por mais que sofria de distúrbios elétricos. Quanta mão amiga, quanto apoio, quanto ouvido, quanto salgadinho de 80 centavos, haja estômago, haja amor, hoje problema.
E àquele gás que borbulhava em um corante líquido roxo, um lindo brinde em copos verdes de plástico, ao infinito e amém. As vezes vinham cervejas, ou vodkas de 5 reais, muitas vezes nem água, mas sempre saliva, quando algum dos sempre cuspia. O quarteto fantástico que se separou que muitas vezes era um trio, ou uma dupla, ou um único par de olhos chorando sozinho no escuro, no banho, e lembrando sempre das paredes verdes-claras e do ombro grande para um bom encosto e poder dizer bem alto, ‘eu não aguento mais’, e receber entrelaçado as mãos firmes que servem o consolo mais quente e único que aquele momento podia ter, depois disso, sentar na grama – quase na mesma grama onde se come melancia às 10h da manhã e sai em uma incrível jornada dentro de um rio seco – e depois viajar por um mundo de Oz e ralar o joelho, depois de ter ralado a cara muitas e muitas e 2746 muitas vezes. E curar, com o mertiolate que ardia.
Para as 8 perninhas, um par com a canela furada de cair em cima de uma pedra, depois de virar a noite juntos e ver o sol nascer, andar como um Walking Dead, e beber e gritar e pular como a gaivota, outro feminino, outro que entrelaça e imita uma árvore jibóia, e outro que dói ao correr, mas não cansa de correr. Além dessas 8, sempre tem mais um par, ou dois, que chegam. Um desses pares adora um refrigerante de uva também e sempre assiste as passistas dando tchau na avenida colorida de carnaval, esse tem além de pernas, asas. Outros pares que acompanham os passos de outro, sem estar amarrado, relação de irmandade, do longe mas do perto, do enfim com afim. Pernas também que suam bastante, que sobem umas lombas e quebram os pés, passam pomadas erradas e com essa ideia criam uma nova dança e maneira de embalar a vida, e as festas e um cigarro de cereja doce. E outros diversos, outros que se vão, outros que permanecem, uns pequenos indecisos, outros que praticam academia e se fortalecem, e precisam de forças e de tanta força que consegue perpassa-a.
Ao prédio maravilhoso roxo, histórico e que tem uma torneira ao lado de fora matando a sede da meninada, um beijo. E um obrigado, pelo abrigo, pela proteção, pelo símbolo, e pela lembrança, por sempre dar a desconfiança de ter câmeras de vigilância podendo gravar qualquer palavra mal falada, ou bem deliciosamente com bastante tesão e calor, falada.
Mais um beijo, um abraço, forte. E destes todos, nem eu nem vocês, somos descartáveis.
Uma caneta cor de mel.
10 out 2011 Deixe um comentário
em João Bridi
Um dia chove não chove. E pensamentos filosóficos sobre o futuro, e problemas ou vantagens de não
descartar personalidades, pessoas ou tons musicais dele. Vida. Melhor. Ótima. Tranquila mas agitada. Tons de cores que melhoram. Sete cores, por mais que só apareçam depois da chuva, mas surgem da ligação com os raios brilhosos de sol. E estrela única. Ilumina. Aquece e ajuda a dizer “Bom dia”, que coisa linda(mente), lindamente preocupante, grande e sufocante.
Linda no brilho.
Grande no tamanho e nas vantagens e vontades.
Sufocante. Ou vai dizer que a espera de um novo dia não sufoca?
Relatório.
04 out 2011 Deixe um comentário
em Caio Fernando Abreu, João Bridi
Eu sempre me pergunto porque eu escrevo melhor sobre tristezas, morte, solidão.. e quando eu estou feliz, realizado é mais difícil me expor com a intenção de chocar os leitores.
O problema é que quem recebe meus contos/textos/vida vivem mais com os assuntos de dor no amor, e menos de amor sem dor.
Se começar uma análise que vai além da rima, das duas últimas letras iguais, dos sentimentos estarem sempre próximos, ligados e interligados… Quem nunca desenhou na classe da 4ª série, tentou riscar o tronco da árvore que fica no parente do interior ou simplesmente tinha um pensamento de desconfiança em relação ao cupido, achando que ele era uma pessoa com um pouco de mal com a vida por enfiar flechas no coração das pessoas?
Vem desde tempos, cultura e aceitação da mesma ou só olhos fechados de paixão mesmo.
A flecha machuca e lança morfina ao mesmo tempo.
Os cachinhos louros e enroladinhos acabam sendo um certo amuleto de alegria e sonho sem doce de leite.
Mais ainda é doce, e que seja doce, sete veze
s para dar sorte, doce, doce, doce, doce, doce, doce, doce…
- Se pudesse viver de novo, o que faria de diferente?
14 set 2011 Deixe um comentário
em Aleatório
- Se eu pudesse começar de novo , me atreveria a cometer mais erros. Eu relaxaria. Faria mais exercícios, seria mais tola. Eu levaria menos coisas a sério e iria aproveitar mais as chances. Teria viajado mais, escalado mais montanhas e nadado em muitos outros rios. Teria tomado mais sorvetes e comido menos feijão. Eu teria, talvez, mais problemas verdadeiros, mas menos imaginários. Veja você, eu sou uma dessas pessoas que viveu sensata e sadiamente hora após hora, dias após dia. Ah, eu tive meus momentos, mas se pudesse fazer de novo, eu teria mais deles. Na verdade, eu iria tentar não ter nenhum deles – só momentos – um após o outro, em vez de viver os anos a frente. Tenho sido uma dessas pessoas que nunca sai para qualquer lugar sem um termômetro, uma bolsa de água quente, uma capa de chuva e um paraquedas. Se eu pudesse ter minha vida de volta, eu começaria a andar descalça na primavera e assim iria aé o outono. Eu dançaria mais, me divertiria mais nos carrosséis, iria pegar mais margaridas.
Nadine Stair, 93 anos.
Chegando ao Limite.
09 set 2011 Deixe um comentário
em João Bridi
Sem suportar, sem tocar, sem enxergar, quase sem respirar. Esquento mais um café com chá preto, procuro mais uma vela e um cigarro e me afundo nesse sofá rasgado. Meu rádio mal pegando tocando as clássicas, Nina Simone, e seu doce namorado e minha sala mofada. Há momentos em que tu se enxerga no espelho e vê o poder que ele tem, de mostrar não só o físico mas o íntimo, você triste ele triste, você feliz ele feliz, você sujo ele sujo, você vendo você, a necessidade de recorrer a si mesmo e notar que o único ombro pra se apoiar é aquele refletido da mistura de areia e vidro, e com uma pitada de cafeína com nicotina, as vezes uns sacrifícios com gilette ou aquela tesoura de cortar unha, ou só acertar a cabeça na parede, e gastar algumas calorias. Ah doce veneno da maldita e azeda solidão, doce perfume da fumaça no travesseiro e doce fincadas de agulha nesses olhos, sono. Mas café. Doce café amargo da madrugada. É. Sem suportar, sem tocar, sem enxergar, sem respirar agora, chegando no meu limite, e que limite mais profundo, e fundo que eu me afundo, tossi, engasguei e ferrei. Juntando os filtros de café, de cigarro e os filtros respiratórios da minha vida. E todo mundo precisa filtrar a vida. Filtro, natural, suave, limite filtrado.
Doce Caio…
04 set 2011 Deixe um comentário
em Aleatório, Caio Fernando Abreu
O Encontro na Pitangueira [trecho do ato final]
30 ago 2011 Deixe um comentário
em João Bridi
P2 – E se isso não for certeza?E se isso for ilusão? E se eu sumir, ou tu sumir? E se o inverno enfim acabar de vez? E se a pitangueira secar? E o café esfriar? E se o amor acabar? Ou o adorar, ou o gostar, ou o casar? E se?
P1- “E” e “se” , são duas palavras tão inofensivas quanto as palavras podem ser. Mas coloque as junto, lado a lado e elas tem o poder de perseguir você pelo resto da sua vida. E se? E se? E se? Não sei como a história termina, mas se o que você sente então, é amor verdadeiro, então, nunca é tarde demais. Se foi verdade, por que ainda não é? Você só precisa ter coragem de seguir seu coração. Não sei como é um amor como o de Julieta, afinal eu não li Shakespeare… um amor pelo qual deixar entes queridos, um amor pelo qual cruzar oceanos… Mas quero acreditar que se um dia sentisse esse amor teria coragem de agarrá-lo. E, se ainda não fez isso, espero que um dia o faça.
P2 – Cartas pra Julieta?
Nem parece que já faz um ano,
20 ago 2011 2 Comentários
em João Bridi
um ano desde aquela noite fria que cortava a pele, parecia que ia nevar, ou que eu ia congelar, ainda bem que você me emprestou o casaco, casaco com cheiro de canela, com um pouco de açúcar e sujo de doce-de-leite, um doce-de-leite que recheia um sonho, e que sonho mais recheado que vivemos, ir a uma padaria tomar um pingado nunca foi tão especial, marcante, importante e apaixonante, você sabe como eu me senti com você quase atropelando a garçonete pra vir me atender, me deu pena, mas de pena o mundo está cheio, e não quero sentir isso, sentimento mais ruim, mais triste, antes compaixão do que essa coisa que humilha, que te joga no chão e faz o próximo representar algo que nunca será como você, quem é você perto dele, e quem sou eu perto dele, mas quem sou eu perto de você? Sou vida. Ainda não acredito que se foi, ainda não acredito que tua pele morena e lisa, não toca mais a ponta dos meus dedos e nem que o calor que tínhamos foi esfriando, sabe que ainda enxergo a lua amarela lembrando de teu sorriso e da tua covinha do lado direito e em como eu amo ele e ela, me sentir protegido e te proteger, rechear mais sonhos, rechear de esperança de amor e de desconfianças, de deboche, de risada, de sexo, de doces e de salgados e de amargos. Ainda não acredito que se foi, ainda não acredito que esse piano vai juntar poeira no canto da sala, eu não tenho 1/3 da minha sala por culpa desse teu objeto sabe né? Mas creio que não tenho 3/3 do meu coração com você partindo, e indo e vindo pensando em você assim como ele está. Eu sei que a gente não tinha decidido nada sobre pendurar ou não as roupas do varal de trás ou na cerca da frente, e nem sobre o cachorro insuportável que tu comprou, e que deu cria com a cachorra da vizinha da esquina mas quem terá de cuidar dele da cachorra da vizinha, da vizinha e de toda a ninhada sou eu. Por que me deixaste? Ainda não acredito que se foi. Ainda não acredito. Se foi. Me levou junto, e me deixou aqui, não sei viver sem teu doce-de-leite e nunca mais poderei olhar pro rosto da garçonete, nem pra pedir empadinhas de frango com requeijão que você gostava, até por que eu não tenho mais motivo de ir encomenda-las e compra-las. Dói, mas sorrio. Sabes que pra sempre guardarei tuas receitas de bolo aqui comigo, guardarei todos os pedaços de vida com cereja para completar, e cobertura de chocolate com mousse pra adoçar as noites sozinho. Prometa nunca soltar minha mão e me ajudar a bater as massas do pão doce, nem acredito que aprendi a cozinhar por você, e prometa sempre, sempre soprar no meu ouvido, qual a quantia certa de açúcar em uma xícara de cafézinho, ou de chá ou de gemada para gripe, você sabe como me atrapalho com doçura, e foi assim, me atrapalhando que me apaixonei pelo teu jeito, e teu gosto doce. Você ainda vive em mim, e em cada brownie e biscoito de rosca. Vive, assim.